9 de fevereiro de 2021

Chocolate de leite de camelo

Por Edwin

Em meio aos tradicionais chocolates belgas, suíços e americanos vendidos no Duty Free do aeroporto de Abu Dhabi, uma prateleira chama a atenção dos turistas. Apresentados em sofisticadas embalagens em tons de marrom e dourado, os bombons locais são feitos à base de leite do animal que é símbolo do deserto que predomina na região: o camelo-árabe (ou dromedário).

Parte da alimentação dos beduínos do Oriente Médio há séculos, o leite de camelo havia perdido espaço com a modernização e a urbanização dos Emirados Árabes Unidos, mas agora está sendo resgatado por empresas que vêm dando uma roupagem atual à tradição de seus antepassados.

O leite de dromedário é vendido nos grandes supermercados e servido no café da manhã de hotéis de luxo. Cafeterias oferecem queijos, sorvetes, iogurtes e bolos à base do ingrediente. Até drinques já estão sendo preparados com essa matéria-prima.

Um dos primeiros produtos a serem lançados foi o chocolate, criado pela empresa Al-Nassma em 2008. A receita foi desenvolvida em conjunto com especialistas de Salsburgo e de Viena, na Áustria, após dois anos de pesquisas. No aeroporto de Abu Dhabi, a caixa com nove bombons sai por 99 AED (o equivalente a R$ 60).

Segundo a empresa, o desafio foi criar um produto que não mascarasse o leve sabor salgado do leite de camelo (adquirido devido à grande quantidade de minerais), e que tivesse uma consistência cremosa mesmo com a pouca quantidade de gordura da bebida.

Hoje, a empresa exporta o chocolate para países como Japão, Malásia, França e Qatar.

Também criou uma cafeteria temática em um shopping de Dubai, o Café The Majlis, que usa o leite do animal em bebidas como chocolate quente e cappuccino (chamado ali de “camel-cino”) e também em sorvetes, bolos, muffins e até em croissants.

Também em Dubai, outra cafeteria temática, a Café2go, serve sua versão de “camel-cino”, além de “camel latte”, “camel mocha”, iogurtes e queijos com o leite do animal. O estabelecimento vai além e serve ainda sanduíches com salame, mortadela e salsicha feitas à base da carne de camelo.

A rede britânica Costa Coffee foi outra que introduziu o leite de camelo no último mês de agosto em suas filiais nos Emirados Árabes Unidos. Como o produto é mais caro do que o leite de vaca, os clientes têm que pagar um valor extra de US$ 0,40 pela versão mais exótica da bebida.

‘Mixologista de leite de camelo’
Inaugurado em março deste ano, o hotel Ritz-Carlton de Abu Dhabi contratou um “mixologista de leite de camelo” — um barman que cria drinques à base da bebida.

A ideia surgiu em julho, mês do Ramadã, quando o profissional Mohammad Daoud decidiu criar opções ricas em proteínas para que os clientes muçulmanos pudessem se alimentar após o jejum diário.

Passado o mês sagrado, o hotel manteve a novidade e oferece os drinques – que misturam o leite de camelo com morango, menta e outros ingredientes — no seu restaurante árabe.

Saúde
Em geral, as empresas que comercializam produtos à base de leite de camelo alegam que ele é mais saudável do que o de vaca. Segundo a Al Nassma, por exemplo, os benefícios incluem mais água, menos gordura, alta quantia de proteínas e uma digestão mais fácil, que permite seu consumo inclusive por pessoas intolerantes à lactose.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirma que o leite de camelo tem, de fato, grande quantidade de água (entre 84% e 90% de sua composição) e, consequentemente, menos gordura, com uma porcentagem que varia entre 2,6% e 5,5%.

O orgão também afirma que ele tem três vezes mais vitamina C do que o leite de vaca, e que seu gosto levemente salgado vem da grande quantidade de sódio e de cloreto.

Fonte: Globo.com/Turismo e Viagem